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Zoologia em tempo de mudanças: sobrevivendo à tempestade perfeita

 

Desde o final do último período glacial, o planeta passou por um período de relativa estabilidade climática e geológica. Durante esse período, a população de uma espécie, Homo sapiens, nós, cresceu e se desenvolveu de forma exponencial através do desenvolvimento da educação, cultura e tecnologia. Por volta de 7.500 anos atrás, foram construídas as primeiras cidades, reflexo dos nossos avanços tecnológicos e sociais. Desde então, a população humana cresce vertiginosamente graças a esses avanços que tornam o inesperado possível – o planeta hoje alberga cerca de 7,8 bilhões de humanos, vivendo em condições profundamente diferentes. As pressões e ações da população humana geraram mudanças e cenários ambientais globais que não refletem o passado que precede os últimos 10.000 anos. Essas mudanças têm acelerado e agravado drasticamente processos que impactam a vida no planeta, configurando a "tempestade perfeita"."

Ciência e tecnologia nos trouxeram até aqui numa corrida vertiginosa a qual produziu esse mundo em que vivemos, cujo status quo se encontra sob risco. Paradoxalmente, o que nos permitiu chegar aqui é também responsável por mudanças no planeta e colocam em risco exatamente o que somos, uma humanidade tecnológica. Esse é o momento de confrontar os desafios impostos pelas mudanças que se aproximam e de planejar como lidar com suas consequências. Esse é o nosso zeitgeist (espírito do período). Alterações climáticas, mudanças da distribuição das espécies e das comunidades locais, emergência de novas enfermidades em espécies silvestres e cultivadas, enfermidades infecciosas emergentes em humanos, destruição da hábitats, extinções crescentes de espécies, sobre-exploração de recursos naturais (pesca, mineral), aumento na frequência de acidentes ambientais, pressão agrícola, poluição, espécies invasoras, dentre tantos outros. Somados a isso, quando é tão necessária, a ciência vem sendo desvalorizada internacionalmente e existe uma enorme pressão mundial e nacional em direcionar pesquisa e ensino para áreas aplicadas e/ou populares. Mas ciência não se faz assim. A história sobre nosso desenvolvimento científico e tecnológico deixa isso bem claro.

A pesquisa em Zoologia no Brasil é uma das mais vibrantes e respeitadas em todo o mundo, principalmente uma consequência da dedicação e da capacidade de nossos pesquisadores, mas também de nossa megabiodiversidade. Nesses tempos de mudanças, precisamos discutir e planejar nossas pesquisas e ações de maneira a nos permitir confrontar a tempestade que se forma adiante. A proposta do comitê organizador do XXXIV Congresso Brasileiro de Zoologia é analisar, interpretar e planejar o enfrentamento desses problemas no nosso futuro imediato e a médio prazo. Não é o momento de ignorar os problemas. Os atores necessários nesse momento crucial devem expor e discutir maneiras de mitigar, minimizar ou eliminar conflitos o mais rapidamente possível. Problemas devem ser postos sobre a mesa e discutidos analiticamente antes de podermos efetivamente buscar soluções de forma cientificamente fundamentada que possam ser fomentadas de maneira robusta, objetiva e efetiva.

Com essa proposta, espero encontrar vocês em Curitiba de 22-25 de agosto de 2022 para mais um congresso de Zoologia.  Vamos realizar uma imersão na Zoologia nacional e discutir e planejar o nosso futuro.