
Foto de Emilio Garcia
na Unsplash
O futebol é recheado de histórias, muitas positivas, mas também há registros negativos, com situações que não saíram como o esperado e, muitas vezes, geram frustrações.
É nessa linha que uma ex-promessa do São Paulo chama a atenção: Mirray, jogador que era considerado um dos maiores nomes das categorias de base do clube.
Porém, após ser tratado como o ‘novo Kaká’, ele viu sua carreira desandar. Hoje, enquanto casas de apostas acompanham o desempenho de nomes consagrados e também de promessas, como Mirray foi um dia.
Vale destacar que o jogador é da mesma geração de nomes como Rodrigo Caio, João Schmidt, Lucas Evangelista e Lucas Piazon, atletas também tratados como grandes revelações na época, mas que seguiram caminhos diferentes.
Da expectativa para o choque de realidade
Mirrai Leme Vieira, ou apenas Mirray, era um meia-atacante tratado como uma grande promessa não apenas do São Paulo, mas também do futebol brasileiro.
Ele foi um dos integrantes da badalada geração de 1994 do Tricolor, campeã mundial Sub-15 em 2009 diante do Werder Bremen, em Manchester, no Estádio Old Trafford. Inclusive, na partida a vitória veio por 3 a 1 com dois gols de Mirray, o grande nome da equipe.
Apontado como o novo Kaká do Morumbi, Mirray chegou a ter uma multa bem elevada para a época, no valor de 30 milhões de euros (R$ 84 milhões na cotação da época).
“Ser comparado ao Kaká, a grandes atletas, não é para qualquer um, tem um valor. Mas você carrega uma pressão muito alta, a pressão de um Kaká, que era o nosso melhor jogador do mundo na época. Até hoje a semelhança ainda é comparável, é para o resto da vida, mas na época lá não atrapalhou não, era até gostoso de receber. Eu tinha uma família que me ajudou bastante, a gente soube lidar”, relembrou o jogador em entrevista ao Globo Esporte.
Apesar de toda a expectativa, o jogador viu a idade chegar, mas as oportunidades no time profissional não vieram. Após estourar a idade no Sub-20, Mirray foi emprestado ao Nacional-SP e São Bento.
Sem o destaque esperado, o contrato com o Tricolor não foi renovado e o meio-campista ficou livre no mercado.
Rodagem por times menores e aposentadoria precoce
Após deixar o São Paulo, Mirray encarou uma dura realidade do futebol brasileiro: falta de pagamentos, salário baixo e pouca estrutura.
“No São Paulo era um mundo totalmente diferente, aí depois a gente cai na realidade do futebol e ela é complicada”, destacou.
Sonhando com um retorno para um gigante, Mirray ainda defendeu Vila Nova, Coimbra-MG, Comercial-SP, Luverdense, Patrocinense, URT, Goytacaz, Barretos e Gama, mas aos 27 anos decidiu colocar um ponto final na sua carreira.
“Vamos falar a verdade, de tudo, salários, estrutura, acho que o mais que pegou foi o salário. Eu me casei, tenho um compromisso de cuidar da família, venho galgando do São Paulo para cá batendo nos clubes com dificuldades. Então, voltei para minha cidade para continuar aqui a minha carreira. Meu pai, minha esposa, com minha mãe, a gente voltou para cá, e hoje estou muito feliz nessa nova fase também”, contou.
Com 31 anos, Mirray já está longe do futebol profissional há quatro anos. Ele mora no interior de São Paulo, em Guariba, onde tem uma escolinha de futsal, criou um grupo voluntário de corrida e também participa de jogos em torneios amadores.
